17/01/2011

Serial Experiments Lain Ending Full Tooi Sakebi



Tooi Sakebi

Nan no tsumi mo nai hazu na no ni
Nanraka no batsu wo uketeru
Jibun de maita tane de mo nai no ni
Sakimidareta hana tsumasareru
Shiranai koto to mo ienai ga
Katabou katsuida oboe wa nai
Jiyuu wo takaku kawasareta ki mo suru ga
Kokoro made yasuku utta oboe wa nai

Hey hey kutabatte osaraba suru made
Hey hey dare no te ni mo kakaranai
Tooi yoru wo urotsuite-iru
Shiranai darou eien no narazu mono-tachi wo

Yurusenai shiuchi de mo nai ga
Iyaseru kizu de mo aru mai
Nakesou na yoru ni wa onna daite
Kono chinke na shaba kara taka tobi sa

Hey hey kutabatte osaraba suru made
Hey hey dare no te ni mo kakaranai
Tooi yoru wo urotsuite-iru
Shiranai darou eien no narazu mono-tachi wo

Nan no tsumi mo nai hazu na no ni
Nanraka no batsu wo uketeru
Jiyuu wo takaku kawasareta ki mo suru ga
Kokoro made yasuku uritobasu hara wa nai...

Um grito distante

Pensei que eu fosse inocente
mas estou sendo punido
Não fui eu que comecei isso
mas vou ter que terminar de alguma maneira
Não posso dizer que eu não sabia de nada
mas eu não me lembro de fazer parte disto
Tenho a sensação de que a liberdade me custou algo precioso
mas não me lembro de ter vendido barato a minha alma

Hey hey até que eu morra e diga adeus
Hey hey ninguém nunca irá me pegar
Você não deve conhecer
os foras da lei eternos que vagam pela noite distante

O ato não era imperdoável
mas suas feridas são incuráveis
Em noites quando eu apenas quero gritar
eu me agarro a uma mulher e vôo para longe deste insignificante mundo corrupto

Hey hey até que eu morra e diga adeus
Hey hey ninguém nunca irá me pegar
Você não deve conhecer
os foras da lei eternos que vagam pela noite distante

Pensei que eu fosse inocente
mas estou sendo punido
Tenho a sensação de que a liberdade me custou algo precioso
mas não tenho coragem para vender tão barato minha alma...

14/03/2010

Quando era mais jovem, e ainda sou, então quando era muito jovem, gostava de pensar como uma certa música me ensinava:

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?

Me confortava pensar que todas as minhas escolhas foram irremediavelmente certas, posto que se eu não as tivesse feito assim, agora seria eu outra pessoa, então, não poderia eu julgá-las.


O tempo passa, e pensando ser imune ao arrependimento, descobri que não o era. Não que me arrependa das coisas que fiz, muito longe disso, mas das coisas que não fiz, isso sim.


Não abandonei minha antiga filosofia, e acreditando ainda naquela música, descubro que o importante não é mais desejar ter feito as escolhas certas, mas sim desejar ser outra pessoa. Assim quando me imagino no passado, vejo a alteridade de mim mesmo, me vejo outro, gostaria de ser igualmente outro no presente.


Mas, para o passado não há remédio, resta o futuro que é uma esparramação do presente. Meu medo é justamente que o passado nos oprima de tal maneira que não se consiga fugir dele de forma a buscar o futuro diferente, restando apenas o desejo de ter sido outro no passado.


E daí que sempre oscilo em duas crenças contraditórias: que nós somos as nossas escolhas, e ao mesmo tempo nós não as escolhemos. Como se os sonhos escolhessem os homens, e não os homens aos sonhos. Se escolhemos assim, é que assim somos, assim nascemos.


Eu que acreditava no caráter certeiro, posto que irremediável, das minhas escolhas passadas, acabo acreditando que todos os meus presentes, passados e futuros, foram como que definidos pelas deusas do destino: Fiandeira, Distributriz e Inflexível.



E fico imaginando se Distributriz tivesse puxado os fios em outros momentos que não estes quando os puxou e me fez assim como sou. Se Distributriz me tivesse reservado outros destinos, quem eu seria? E se Inflexível tivesse decidido cortar o fio justo quando nasci, como deveria ter sido quando do meu nascimento, se não fosse a intervenção médica me desenrolar e cortar o outro fio, o umbilical.

Seriam minhas escolhas irremediáveis? Estaria eu condenado a ser eu mesmo?
Penso que gostaria ao menos de ser mais do que eu mesmo.

Eu gosto é do estrago.

25/10/2009

Olhos Inocentes – A Evolução da Visão


No inicio existiam criaturas unicelulares que podiam flutuar de um lado para o outro e farejar algumas mudanças químicas em seu mundo de “caldo primitivo”. “Isto é tudo que existe para ser aprendido”, elas disseram, e continuaram suas existências limitadas, absorvendo e dividindo, absorvendo e dividindo, e criando muitas outras iguais a si mesmas.


Mas uma minoria radical de alguma forma sabia que havia muito mais Lá Fora do que proteínas e cadeias de aminoácidos. Elas podiam sentir isso em seus cílios, flagelos e nucléolos. Elas não tinham como provar, mas sabiam que havia mais a ser conhecido Lá Fora. Embora a maior parte da comunidade bacteriológica rejeitasse essa tese radical e taxassem seus defensores como loucos, uns poucos quiseram levantar o véu e conhecer o restante do universo.


Então eles colocaram a sua vida potencialmente eterna em risco e, com medo e água quente, organizaram-se em monstros multicelulares. Naquele momento transcendente eles ABRIRAM O SEU PRIMEIRO OLHO! Não um olho verdadeiro, claro, mas uma coleção de nervos óticos ativos.


Boa Jogada! Agora elas podiam SENTIR suas conexões com o caldo primitivo que as envolvia, e sabiam um pouco mais sobre o que havia Lá Fora. Isto concedeu-lhes uma vantagem extraordinária sobre os desprovidos de sentidos, os quais tornaram-se seu alimento. Impulsionados por esse novo fluxo de informações, a nação nematóide inventou o sexo. Outra boa jogada, porque assim, além de se multiplicarem como doidos, naquele momento mágico de união enlouquecida, também entravam em contato com um sentimento silencioso nas profundezas de seus nervos.


Ainda havia mais a ser aprendido! E enquanto o restante dos vermes escarnecia e chamavam-nos de loucos, os pioneiros concentraram seus nervos na direção do estímulo fraco, impossivelmente fraco que se dirigia a eles todos. Num momento transcendente eles ABRIRAM O SEU SEGUNDO OLHO!


Luz! Som! Filmes coloridos! Mais uma boa jogada! O universo continuou a se descortinar para eles, numa explosão sensual de informação sobre O Que Está Lá Fora e sua conexão com essa coisa. E eles mergulharam nesse universo de possibilidades – comendo, reproduzindo, assistindo 500 canais de TV a cabo. Um frenesi de diversão sensual mais tarde, o caldo orgânico agora estava cheio desses Filhos do Agrupamento Organizado de Nervos.


Embora algo nas profundezas de suas glândulas lhe dissesse que ainda havia mais a ser conhecido, a maioria deles cometeu o erro de seus ancestrais unicelulares. Eles escarneceram da noção de que ainda havia mais a ser descoberto, e muitas formas de descobrir, e chamaram esses dissidentes de loucos. Muito bem, mais uns pioneiros concentraram sua atenção no som parado e doce que se encontrava do outro lado da consciência sensorial, misturado em alguma parte dentro dos recessos do seu sistema glandular e, num momento transcendente, ABRIRAM O SEU TERCEIRO OLHO!


Mais uma boa jogada! Eles receberam mensagens e informações sensoriais desconhecidas pelo povão ou pelos analistas de sistemas, e tão difíceis de serem explicadas às pessoas comuns quanto ensinar trigonometria a uma minhoca. Eles deram outro salto quântico em seu conhecimento sobre O Que Está Lá Fora e sua conexão inefável com essa coisa. Mas, o resto das pessoas comuns e dos analistas de sistema chamaram-nos de loucos. Bem, vinte e um zilhões de bactérias disseram a mesma coisa a um milhão de anos atrás. E adivinha o que elas são hoje? Bactérias!


Portanto, eu lhe digo: seja louco! Seja voluntariamente insano diante do resto do mundo. Vista a sua loucura individual com orgulho! Derrube a tirania dos mecanismos de abastecimento neurológico e liberte os seus sentidos!


Clan Book Malkavian 2º Edition

24/10/2009

Chove muito agora. Não pára de chover. A vida é muito difícil pra mim. Não do conta de todas as possibilidades que ela me oferece. Acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, e nunca paro de ter a sensação que eu estou em outro tempo. Como se eu vivesse num desconcerto temporal. Num desarranjo contínuo, onde tudo que me cerca estivesse acelerado. Eu me sinto lerdo.

01/09/2009

Sobre o desaparecimento de Belchior.

O próprio já disse:

"Esses casos de família e de dinheiro
eu nunca entendi bem"

"Fotografia 3x4"
Alucinação (1976).

21/06/2009

Retro-alimentação.

O que é uma merda é que, se formos sinceros mesmos, não temos controle nenhum da nossa mente. Os momentos de euforia e melancolia que nos abalam, por motivos relavantes ou não, são sempre incontroláveis.

É tudo uma manifestação psíquica temporária. Nada permanece, tudo se transforma. As lembranças que ficam são cuidadosamente digeridas pelo inconsciente, de forma que nada escapa da boca sempre aberta do tempo. Se na intimidade da sua mente você ama, odeia, sofre ou goza, é porque assim escolheu. Se você odeia algo, odeia a si mesmo. Se ama algo, ama a si mesmo. Tudo no mesmo espaço, mas não no mesmo tempo. O tempo destrói todas as coisas, menos a vontade de esquecer, e o esforço pra lembrar.

É como alimentação... o tempo destrói todas as comidas, menos a vontade de comer e o esforço pra cagar.

A única experiência psíquica pura é o vazio. Porque quando você pensa sobre algo do mundo da vida... é porque aquilo que você está pensando já morreu.

Eu já escrevi quase tudo isso antes aqui, eu sou uma pessoa muito repetitiva. E se meus últimos posts foram sobre citações de livros, é que cada vez me convenço mais que ler é mais importante que escrever, embora um não faça sentido sem o outro. Tenho lido muitas coisas interessantes...



(Arcimboldo, "O Cozinheiro", 1570)

18/05/2009

Pecado.

"No Secretum, Petrarca faz da acídia a característica principal de sua vida psíquica. Ele designa por este nome o efeito de uma incapacidade de querer, de uma indolência ou de uma preguiça que o impedem de prolongar sua vontade em verdadeira ação. A acídia seria o sentimento de tristeza próprio daquele que sabe muito bem o que tem que fazer, que conhece o obstáculo que o impede de cumpri-lo, mas que, no entanto, não faz nada de decisivo para sair dessa situação, e multiplica os desvios e as falsas razões pelas quais ele adia o momento da resolução autêntica. A acídia é esta tristeza da impotência diante de si próprio”, p. 4.


BESSE, Jean-Marc. Ver a terra: seis ensaios sobre a paisagem e a geografia. Trad. Vladimir Bartalini – São Paulo: Perspectiva, 2006.

18/04/2009

KOESTLER, Arthur. O Zero e o Infinito (Darkness at Noon). Globo: São Paulo, 1964.

Rubachov, sobre a História:

“Um matemático disse, uma vez, que a álgebra era a ciência dos preguiçosos: não se conhece o valor de x, mas opera-se com ele como se o conhecêssemos. No nosso caso, x representa as massas anônimas, o povo. A política significa operar com este x sem se preocupar com sua natureza real. Fazer História é reconhecer x pelo que representa na equação”.

Rubachov sobre o socialismo:

“A política pode ser relativamente limpa nos espaços em que a história toma fôlego; nas curvas críticas não há outra regra possível além da velha regra: o fim justifica os meios. Introduzimos o neomaquiavelismo neste país; os outros, as ditaduras contra-revolucionárias, nos imitaram canhestramente. Fomos neomaquiavélicos em nome da razão universal – essa foi a nossa grandeza; os outros, em nome do romantismo nacional, que é o seu anacronismo. Eis por que no fim seremos absolvidos pela História: mas eles, não...”

25/03/2009

Viver É Mais Barato do que Você Pensa (Prisão Dinheiro, 1 de 6)

"Sinto uma dor no coração cada vez que escuto um vestibulando dizer que adora biologia/filosofia/etc, mas que vai cursar direito/medicina/engenharia/etc, porque dá mais dinheiro. E eu penso: meu deus, tão moleque, morando com os pais, vivendo de mesada, ainda nem sabendo o preço da vida, mas já abrindo mão do que gosta - já com tanto medo! Como as pessoas suportam viver com tanto medo?

A maioria das pessoas que conheço vive tomada por um medo enorme da vida: medo de serem demitidas, medo de serem pobres, medo de não conseguirem se sustentar. Mas se sustentar é fácil. Dá pra se sustentar com qualquer empreguinho. Não dá pra comprar todas porcarias que você vê anunciando na TV, mas dá pra se sustentar, sim, e ser muito feliz. Do que essas pessoas têm medo então? De não conseguirem se sustentar ou de não conseguirem comprar roupas de grife, livros caros, engenhocas eletrônicas?"

Trecho do blog Liberal Libertário Libertino

vale também a série "Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico".

23/01/2009

Beirut

O cara dessa banda é apenas alguns meses mais jovem que eu. Tudo que eu poderia criar de belo meio que perdeu sentido. Eu posso aturar a genialidade do século XIX, mas esse merda desse cara nasceu na mesma porra de ano que eu, e consegue criar algo tão, tão, tão belo...

Se eu fizesse parte dessa banda sentiria como se meu trabalho na terra estivesse pronto. Mas, ainda tenho tanto trabalho, e não posso fazer nada com música.

Eu invejo muito todos os músicos...

"i listen to bands that don’t even exist yet."

05/01/2009

Declaração dos Direitos Humanos.

1. Todo ser humano gerado na agonia entrópica do mundo, independente de sexo, credo ou cor, tem a liberdade de apodrecer.

2. Fica assegurado o direito de todo ser humano de ser um indivíduo, real ou fictício, e não apenas exemplares de conceitos da retórica política, como "povo", "proletariado" ou "classe-média".

3. Todo ser humano tem direito à meria - genética, social, virtual, real ou fictícia; sendo esta o requisito para definir uma criatura enquanto humana.

4. Todo ser humano tem direito a comunicar-se como quiser, ficando abolida toda e qualquer tentativa de legislar sobre a fala humana. Se a humanidade não dinamizar suficientemente as suas linguagens, ela será incapaz de comunicar-se não somente com os extraterrestres como também com as outras humanidades.

5. Fica assegurada a liberdade de ser estúpido e ignorante, posto que nada é mais nocivo à civilização do que a inteligência generalizada e amorfa. A inteligência se funda na estupidez, sendo esta a condição de possibilidade da primeira. No momento em que os seres humanos se tornarem incapazes de reconhecer a sua própria estupidez, a inteligência desaparecerá por completo do planeta.

6. Todo ser humano tem a liberdade de amar, mas jamais a obrigação.

7. Todo ser humano tem o direito de perceber, imaginar ou se iludir com a BELEZA, pois, sem ela, nada restaria a fazer no mundo.

20/12/2008

Contra-texto

Meu orientador - que é a pessoa mais perspicaz e inteligente que eu conheço - disse que meu TCC defendia argumentações que se contradiziam ao longo do texto, o que me fez pensar bastante.

Não sobre o conteúdo do texto em si, pois isso já não me importa, pelo menos agora que ele já foi aprovado e coisa e tal. Essa aparente contradição me mostrou o quanto cultivo carinhosamente esses antagonismos complementares e, inclusive, me recuso abrir mão deles. Neste espaço virtual postei textos absolutamente contraditórios, seja internamente, ou ainda que se contrapõem a outros textos. Mas, principalmente, textos que contradizem todos os meus desejos, expectativas, possibilidades, projeções, lastros, enfim...

Como um aspirante à intelectual fica o tempo criticando essa gente? Isso não significa que eu esteja sendo hipócrita, pelo contrário, o que escrevo é exatamente o que penso. Mas, penso coisas contraditórias (velho bom, duplipensar), entre outras aporias.

O texto em que falo sobre Livros, por exemplo, o imenso inventário das frustrações humanas. Ora essa, nada mais importante para mim do que os livros. É por eles que vivo, não vou disfarçar, me envergonhar, ou o que for. Sou uma traça, mas não me alimento do papel, mas do sentimento que brota quando leio. Simples assim. Vivo do jogo de espelhos da leitura: o que lemos é aquilo que alguém quis escrever, ou aquilo que eu mesmo quis ler num texto alheio?

Mas, embora traça, reconheço a arte maior: a música. É somente na música tocada ao vivo que podemos retornar ao Éden... Todos procuram o belo, gregos, antigregos, subgregos...

12/12/2008

Anthony Burgess - 1985 (em homenagem à implantação dos TCCs no Dep. de Hist da UFRGS)

"Intelectuais com ambições políticas tinham de ser suspeitos pois, numa sociedade livre, os intelectuais figuram entre os desprotegidos da fortuna. O que eles oferecem - como professores, conferencistas acadêmicos, escritores - não tem muita procura. Se ameaçarem suspender suas atividades ninguém se incomodorá muito. Recusar-se a publicar um volume de versos livres ou a ministrar uma aula de linguística estrutural não é a mesma coisa que interromper o fornecimento de energia elétrica ou paralisar os ônibus. Eles não dispõem dos poderes do patrão capitalista ou dos chefes dos sindicatos. Frustrados e insatisfeitos com os prazeres puramente intelectuais, tornam-se revolucionários. As revoluções são, quase sempre, obra de intelectuais descontentes, dotados de um certo dom para a oratória. Vão às barricadas em nome dos camponeses ou dos operários porque o lema: "Intelectuais do mundo, uni-vos!" não é lá muio inspirador".


"Ou construir uma imagem romântica do operário e endeusá-lo, o que significado privá-lo de suas características humanas, ou desprezá-lo - estas eram as duas únicas alternativas possíveis para um intelectual como Orwell. Ele tinha tudo para pertencer ao Ingsoc - lia o The New Statesman enquanto os operários liam o Blighty e o The Daily Mirror. Os operários não compravam seus livros. Também não compram os meus, mas eu não me queixo. Nem cometo o erro de supor que a vida da imaginação é de algum modo superior à vida do corpo. Tanto o trabalhador das docas quanto o novelista, ambos são parte de um organismo chamado sociedade e, pense o que quiser, a sociedade não pode prescindir deles".


"O proletariado não existe. O que existe são homens e mulheres, com os mais variados graus de conscientização social, religiosa e intelectual. Considerá-los apenas em termos marxistas é tão aviltante quanto seria olhar para eles do alto de uma carruagem de vice-rei. Não é nosso dever anular as diferenças de sangue, educação, maneira de falar e até mesmo cheiro que nos separam, contraindo um matrimônio de sacrifício, fora do nosso meio social, ou passando uma segunda-feira sob o cais de Wigan. Mas temos o dever de não permitir que abstrações como classe e raça possam ser transformadas em bandeiras de intolerância, do medo e do ódio. Temos o dever de, pelo menos, tentar lembrar que somos todos - ai de nós - mais ou menos iguais, isto é, horríveis".