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05/10/2008

Livros

Eu sempre fui um apaixonado por livros. E sempre acreditei que havia algo de nobre nisso, algo que estivesse além da própria vida. De alguma forma eu acreditei na história de Érico Veríssimo: a vida é um touro e existem três tipos de escritores. Um monta num cavalo, chama o seu peão, e amarra o touro facilmente. Outro o provoca, dando mostras de grande coragem, mas quando o touro avança furiosamente, ele foge e sobe para a segurança de uma árvore.

E existe o terceiro, o Dostoiévski/Toríbio, que agarra o touro na unha.

Acreditava que alguma coisa de vivacidade podia ser lida. Sempre tive um imenso prazer nos livros, os devorava intensamente, sem nem pensá-los direito.

Eu acreditava sinceramente nisso, mas conforme fui me tornando um profissional dos livros, acabei percebendo que na maior parte do tempo os livros falam apenas de outros livros. Em Homero, talvez, ligado a algo mais próximo da vida que um livro - um canto - talvez explique algo de sua vivacidade arcaica.

Além de Dostoiévski, sempre ele. Ali sempre encontro aquele mar de sentimento que me invade um peito, quando percebo a pulsação da vida em cada parte do meu corpo.

No mas, toda erudição do mundo não vale mais que o simples riso, aquele arrebatamento no peito, até o mais ridículo e intenso orgasmo. Diante disso meu tão glorioso mundo dos livros nada mais é que um grande inventário das nossas frustrações, desde os gregos, subgregos e antigregos.

07/08/2008

desenhando no ar

Chega aquele momento em que fico triste, amargurado, profundamente ansioso... e já nem sei mais por qual razão. Queria ter a capacidade de odiar os outros, culpar o Bush, o Capital, o Lula, minha namorada ou meus professores, meu TCC, mas a genética e alguns traumas de infância me tornaram incapaz de odiar alguém ou alguma coisa.

E isso não é bom, pelo contrário, torna-me uma pessoa introspectiva, ingênua, frágil à escrotice alheia. Mas, na pior das hipóteses, eu consigo sentir pena ou desprezo pelas pessoas. Nada mais. A idéia de que eu possa atrapalhar ou incomodar outrem me é extremamente desconfortável. Só consigo ofender alguém no meu jeito maroto e irresponsável de ser, no mas alguém está bravo comigo porque não tem nada melhor pra fazer.

Isso é a segunda coisa que me tornou uma pessoa angustiada; a primeira é não saber jogar futebol. De onde eu vim você pode ser feio, burro, pobre... Se sabe jogar bola tá tudo bem. Não ter o hábito de odiar e não saber jogar bola arrasa com a vida social de qualquer pessoa.

Mas, não quero reclamar. Minha vida é boa, poderia ser muito pior. Aquele aperto no peito, aquela descrença com o futuro, aquele sentimento que nada vale tanto esforço e sofrimento... é puramente meu. Não culpo ninguém, e não preciso de motivos para ficar triste.

Também não preciso de motivos para ficar feliz. Com tudo que é sonhador e pueril em mim já devidamente estrangulado, meus momentos de prazer são cada vez mais bobos e simplórios. Acima de tudo, a música. Um cheiro no pescoço dela. Uma piada.

exercitando alteridade de mim mesmo. desenhando no ar.

10/03/2008

You Think I Ain't Worth a Dollar But I Feel Like a Millionaire

Se por algum mo(vi)mento ainda me sinto próximo da satisfação é que meu amor pela vida é quase tão grande quanto o (des)prezo que sinto por tudo isso.

Se ainda consigo ficar extasiado por redescobrir um Cd que passei toda a minha adolescência ouvindo repetidamente, é porque ainda existe algum motivo para estar aqui. Sem música a vida não teria sentido.

Ainda consigo me sentir bem por ver, na Tela Quente, um filme como "Um Show de Vizinha", assim como rever "Patricinhas de Bervely Hills" pela qüinquagésima vez na sessão da tarde. Férias é pra isso mesmo, fazer o que se não tenho dinheiro para ir no Cinema. Ainda me emociono assistindo "Procurando Nemo"... é o que basta. Eu aprecio quase tudo, novo velho simplório complexo. Ainda penso livremente.

Acima de tudo, me sinto extremamente instigado pelo fato que Murari Pires, na sua tradução da Atenaion Politéia, traduziu o termo "skolios" por algo parecido como "de mesa", enquanto que tal palavra possui o significado de "torto" normalmente. Eu não entendo porra nenhuma de grego, mas me sinto feliz por poder estudar... Serei feliz se for pago pra fazer isso, ainda que isso pareça improvável na minha realidade.

Ainda existe muita música no mundo...

Esse texto foi escrito ao som de Songs for The Deaf, do Queens of The Stone Age. Cada música vale a pena.

13/06/2007

(VOZ)

Todo o pensamento humano nasceu do engodo de que as palavras dizem aquilo que tu quer falar ou escrever. Nada disso... as palavras dizem aquilo que tu quer ouvir ou ler.

Obviamente, pois tu sempre fala o que quer ouvir, embora tenha dificuldade em compreender a tua própria voz. Porém, ignora o efeito daquilo que quer ouvir, nos ouvidos dos outros. É compreensível, pois a tua Voz é constituída das ruínas das vozes alheias daquilo que os outros queriam ouvir, logo toda criança tornar-se incapaz de distinguir as diversas vozes que lhe assombram, e que brotam fundamentalmente dos seus próprios ouvidos.

O resultado de toda essa teia, é que o ser humano é incapaz de controlar o seu próprio destino, que fica a cargo de alguma entidade transcendental constituída por uma infinidade de vozes incontroláveis. Ao menos, o homem pode compreender que ele sequer tem controle sobre a sua própria vontade.

07/04/2007

Eu sou um materialista. Explico.

Quando eu era um piá, estava no máximo na quarta série do fundamental, minha professora pediu para que fizéssemos um desenho a respeito da liberdade.

As crianças realizaram suas obras, em torno de gramados verdes, imaginando-se correndo com o vento contra o rosto, numa paisagem bucólica que expressava tranquilidade e calma. Sem horário para voltar para casa. Sem ter ninguém para dizer o que fazer.

Eu não. Desde pequeno já era amargo e pragmático. Desenhei, obviamente, dois quadros que representavam um rapaz trabalhando e, no quadro seguinte, comprando comida com o dinheiro do seu trabalho. Argumentei sobre a minha idéia de liberdade com a maior naturalidade. Todos me olharam com espanto e desdém, inclusive a professora. Porém, nada me dissuadiu de que aquilo era liberdade, acima de qualquer outra idéia.

Creio que o materialismo histórico estava impresso no meu sangue, através das correntes do imaginário trabalhista. As ideologias da grama verde não me iludiram, eu sabia que, na nossa sociedade, liberdade física significa dinheiro, e liberdade moral significa trabalho.

No entanto, a maioria das pessoas de esquerda - socialistas, comunistas, anarquistas, e o escambau - pregam a revolução enquanto correm na grama verde. Ignoram que liberdade consiste em escolher os próprios grilhões.

Ignoram que - por mais que possamos gritar, berrar, ou constuir racionalidades - nós somos constituídos pelas cinzas das nossas paixões.

24/02/2007

sabe eu vou mudar essa droga. Ninguém lê mesmo, e nem culpo porque eu só posso postar de vez em nunca... Porém do jeito que sou anti social até me espantou a quantidade de pessoas que comentaram, ou falaram que haviam lido. Pessoas de diferentes esferas de amizade que mantenho, sendo que essas esferas jamais se tocam sem atrito, no entanto todas elas respingaram aqui.

Mas eu vou mudar essa merda, porque eu reli o meu primeiro post e descobri q ele é muito legal. O resto tudo é uma porcaria, mas o primeiro é muito tri. Vou voltar a ter aquele espírito. Só não sei quando ainda. Talvez leve alguns meses.

E viva a gargalhada feroz, a lágrima do palhaço, a insígnia do forasteiro, a solidão congênita, a embriaguez da indiferença, e os sonhos estrangulados.

Viva Envinyatar, Enkiduh e Eris.

21/02/2007

Quebre o Espelho.



“Já suspeitamos que, ao obrigar-nos a escolher entre a geometria e o caos, entre o Saber absoluto e o reflexo cego, entre Deus e o primitivo, essas objeções movem-se na pura ficção deixando escapar tudo o que nos é e nos será sempre dado, a realidade humana. Nada do que fazemos, nada daquilo com que nos ocupamos é da espécie da transparência integral, nem da completa desordem molecular. O mundo histórico e humano (ou seja, salvo um ponto no infinito como dizem os matemáticos, o mundo ‘tout court’) é de uma outra ordem. Nem mesmo podemos chamá-lo “o misto”, pois não é feito de uma mistura; a ordem total e a desordem total não são componentes do real, e sim conceitos limites que abstraímos, antes puras construções que tomadas absolutamente tornam-se ilegítimas e incoerentes. Elas pertencem a esse prolongamento mítico do mundo, criado pela filosofia há vinte e cinco séculos, e do qual devemos livrar-nos, se queremos deixar de introduzir, no que deve ser pensado nossos próprios fantasmas”, p. 90.

“Não existe saber que não tenha necessidade de ser retomado na atualidade viva a fim de sustentar sua existência. Porém não é essa existência que deve assegurá-lo integralmente. Seu objeto não é uma coisa inerte, cujo destino total ela deveria assumir. Ele próprio é ativo, possui tendências, produz e se auto-organiza – porque se não é capacidade de produção e capacidade de auto-organização, não é nada”, p. 110-11.



Cornelius Castoriadis,
Instituição Imaginária da Sociedade.

13/05/2006

Tentatividade de Disjufundir o leivorador.

Arte do meu grande e velho amigo Jaca.
Imperatriz Natasha.
Solapando solares soldos militares, justaconquista dos fazendeiros da guerra, vadifendendo a Nação contra-toda inimizade alheia. Os bebedores dos líquidos sacrificais, Manto-colorindo o ambiente, cetro-poder que comunica com O Invisível, são o outro lado da moeda do Direito dos poderiosos. Esses toma-confiscam o regalígio dos possuitores da carnimatança técnica. Para desgrafrimento dos (des)possuitores de qualquer regalígio de tributaridade, seja de sacra-invisibilidade, ou de regalígio de morte e força.

Tal unifusão, do bronze da luta e da cor do saber, inicomeçou a Históricisão do Tempo, quando inseriu a exteriforça na socio(i)munidade: O Esta-D(o)ireito de violendade. O matadouro e filoverdade unefunde o Ser (sistema aberto realtrocando vidanergia) ao penSERmento. A dominiência do explolianados. Pacência do povolhador, condemetidos à subdiência do Esta-D(o)ireito de carnimatança técnica e do esotecimento religontológico respectiordenamente dos fazendeiros da guerra e dos bebedores dos líquidos sacrificais.
Tente configualiazar tão linguatória fleumatextual até beiratocar o extrelimidade da Loucudez, entenfundindo Palavra e Realidade numa-só Maldição. Lewis Moore Rosa palavreando Dumezil.

25/12/2005

Monólogo de Reflexão.

Goya - Cristo Crucificado (1780).
Inicio pelo início. Deus não há, assim como o diabo. Há crença, tal baseada na idealização que, em essência, é uma mentira reconfortante, que desejamos que seja verdade, mas não é. Desejo é o que há, que motiva a força. A força é direito, e este, por sua vez, rege o mundo. Força de várias faces e máscaras, física-socio-intelectual-econômica... política. Há sobrevivência, cuja a força é a manifestação, algo que muitos confundem com vida. Sobrevivência=força=direito=Estado, este último odiado por todos, embora todos dependam dele.

Final Feliz não há, porém há Destino, que nada mais é do que a impossibilidade de mudar o que foi, e de dominar o que será. Morte também há... todos os dias... inexorável e irredutível. Felicidade há, no entanto, ela morre. Pode até nascer de novo - pois isso é morte - mas creio que, de maneira surda e ofuscada, cresça no fundo o abismal desespero, que pode muito bem não aparentar que seja, mas é. A tristeza do sorriso, o desespero da piada. A lágrima do palhaço.

Música Ininteligível e inefável há, esses sons harmoniosos que nada significam, mas nos dizem muito - ultrapassando as barreiras do código simbólico da língua humana (o motivo de tudo isso). Isso que há é música, manifestação de algo que não é material e nem idealização, que creio eu seja aquilo que está no meio de tudo, devorando tudo, destruindo tudo, e que nada mais é do que tudo.

Amor... há? não há? Seja amor de Deus, dos pais, da mulher ou do homem... seja amor de amor... Seja necessidade de amar, acima de tudo, pouco importa o quê, contanto que se ame. O quê? O quê? Necessidade? Amor?

23/12/2005

Resultado dos meus estudos nesse último semestre.


No princípio era o Caos, e dele surgiram, por cissiparidade, uma porção de coisas ruins. Até que surgiu um sujeito, que está ali em cima devorando o próprio filho, denominado Cronos, o de curvo pensar, que arrancou o tico do seu pai. Ao fazer isso, algo que todo filho no seu íntimo deseja segundo o Fróidi, ele se tornou o "ser maioral". Cronos, o de curvo pensar, que muito temia que um de seus filhos fizesse o mesmo que ele fez com o próprio pai, devorava os guri assim q eles nasciam, engolia no ato, ligeiro que era o tinhoso. Porém, um dos guris escapou. Zeus, rapaz taura com fogo no rabo, fez o pai vomitar todos os irmãos na marra, e assim juntou todas as criaturas que ele conseguiu arranjar pra lutar contra Cronos, o de curvo pensar, e seus irmãos.

Foi então que Zeus, o que agrega nuvens, deu uma sova de vara em Cronos e seus manos e lançou todos eles no Tártaro, ou no Érebos, tanto faz... é um lugar escuro e muito ruim de se ir. Só que Zeus, o que agrega nuvens, também tinha medo que um dos seus guris se revoltasse contra ele. O que que o danado fez? Comeu a mulher, é claro. Não! Não toh falando de comer daquele jeito, e sim no sentido ruim da palavra, ou seja ele a engoliu por inteiro, a própria da Métis. Quando ele engoliu a Métis ele ficou com a cabeça inchada e dali saiu Atena, a de glaucos olhos, que é a minha favorita. Eu sei que parece estranho, mas pensem bem... Afrodite nasceu do tico cortado de Urano, pai de Cronos, o de curvo pensar (família complicada).