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03/01/2008

Destilando ódio - Parte II

Você que pensava que no IFCH da UFRGS só existiam comunistinhas, esquerdinhas de época de eleição, hippies e outras pessoas estranhas, fique sabendo que estava enganado.

A coisa é muito pior.

Há todo tipo radical que, com sua infinita sabedoria, sabe como resolver todos os problemas do mundo. Não só da esquerda, como da direita, e até mesmo, reza a lenda, nazistas. O único grupo que nunca vi lá é o dos positivistas, embora se fale muito neles (quem são? aonde estão? o que escrevem? aí ninguém responde).

Já me chamaram de positivista, mas eu não sou, juro que não sou. E eu também não sirvo de exemplo, já me chamaram marxista, anarquista, pós-moderno, neo-liberal, nietzscheniano, mas eu não sou nada disso. Talvez eu seja um liberal à moda antiga, mas nada de "neo".

Os esquerdinhas não só querem convencê-lo que votar no Lula é votar no Bem e no Legal, como também estão profundamento preocupados com as catastróficas disputas entre o PSOL e o PSTU. Quando ocorre eleição do Centro Acadêmico, então, vixi. A coisa fica feia, e neguinho se pega no pau que nem deputado em CPI do mensalão. Já vi proferirem todo tipo de acusação escabrosa e cabeluda em época de campanha.

Existem muitos que estão realmente se preparando para a revolução, e não vêem a hora de sair gritando por aí, "Às armas, Às armas", embora provavelmente eles tenham votado a favor do desarmamento. Afinal, o Hugo Chávez tá aí, e nós precisamos fazer algo não é? Dar um fim no facismo (?) do PSDB. E eles sabem que quando chegar a hora, o Lula vai estar do lado deles. Por enquanto ele tá só disfarçando, para enganar os inimigos.

Tem também aqueles que estão lá mais para se drogar do que para qualquer outra coisa. Nada contra a droga, o problema são aqueles que a utilizam como pretexto para agirem como babacas. Os drogados normalmente se associam com os comunistas, e muitas vezes formam uma categoria mista, que pode ser definida como os "adoradores do Bob vermelho", alguém que não se conforma com a exploração capitalista, e como protesto passa a maior parte do tempo chapado.

Mas, por favor, não me levem a sério. O Campus do Vale é o lugar mais legal que eu já conheci, onde estudam as pessoas mais legais que já conheci. E de alguma forma ou de outra me identifico com toda essa escrotice que denuncio, e realmente acho que poderíamos nos puxar um pouco mais em questão de maturidade, em nome de toda a "miséria que nos sustena" na universidade...

18/12/2007

Destilando ódio - Parte I

Desde pequeno eu sempre quis ser intelectual. Eu não quero chamar todas as pessoas que conheci de burras, mas nunca conheci ninguém que gostava de conhecimento, do aprender, até passar no vestibular.

Aí eu entrei em contato - embora ainda de modo superficial - com uma fatia dos intelectuais porto-alegrenses, ou ao menos conheci o ambiente que lhes é propício. Quanta decepção. Não que eles sejam idiotas ou mediocres (talvez alguns deles o sejam mesmo), mas é que existem aqueles que nasceram intelectuais, foram criados como intelectuais, e vão morrer sem ter amadurecido em quase nada.

É um padrão muito comum de comportamento, assim como o valentão da escola, o empresário ambicioso, a mocinha mimada.

Fácil reconhecê-los. O intelectual congênito, acima de tudo, não gosta de nada, afinal, gostar de algo é não ter uma posição "crítica" a respeito. Sempre arruma um jeito de desvalorizar aquele livro clássico que ele leu. Se ele não leu, melhor ainda para falar mal. O intelectual só abre exceções quando descobre que seus interlocutores não conhecem algum autor obscuro, ou exótico, aí então eles tecem todos os elogios do mundo e desferem aquele olhar de superioridade característico. A questão não é discutir apetites, mas sim utilizá-los para humilhar o gosto alheio e acariciar sua própria vaidade.

O intelectual não gosta de nada, nem dos próprios intelectuais. Nada o satisfaz mais do que falar mal dos seus pares, eles realmente levam a sério a guerra de todos contra todos de Hobbes. Aparentemente, desprezar a academia é um jeito eficiente de entrar nela. Nenhum acadêmico gosta de assumir o que é, exceto quando necessário impor sua autoridade institucional.

O intelectual porto-alegrense prefere a argentina ao resto do Brasil. Eles tentam disfarçar, mas é que Buenos Aires é a Europa dos intelectuais de classe média.

O intelectual também prefere a França ao resto do mundo, afinal contaram para eles que todo francês é culto, convencido e sarcástico, então todos eles agem assim. O estereótipo intelectual é francês. Não duvido nada que alguns não tomem banho para imitarem os costumes dos seus modelos.

26/09/2007

Não me siga!

Também não sei para onde estou indo.

11/12/2006

Sou uma pessoa sem nenhum Preconceito: odeio toda a humanidade na totalidade da sua mesquinharia, sem nenhuma distinção de sexo, credo ou cor. Insisto em conviver com os outros, mas de tempos em tempos recordo do insaciável Sentimento que me consome. Talvez por isso eu seja incapaz de odiar alguém em especial, destilo minhas fúrias com tranquilidade, em voz baixa. Isento de crueldade, e também de misericórdia.


A civilização é produto dos esforços humanos para romper o Tédio, distrair a Angústia, e se frustrar com o Desejo. Só o desgosto e o desassossego nos sacia.

01/04/2006

Quando vi ele, nem perdi tempo e já emendei um murro na cara. Não pude ver seu rosto, vivo de sombra apenas, vestindo aquele paletó cinza. Não vi o rosto, mas senti os olhos em mim. Ele caiu no chão com o soco, fui ver de perto e levei um chute no saco escrotal. Senti a agonia me torcendo em decúbito doral numa poça da mais pérfida água, quando abri os olhos senti a força da sola do sapato dele na minha cara. uma, duas, três vezes. Meu rosto, forma disforma forjada no afago da fogalha, sangrando, jorrando vermelho, caiu ao lado. Silencio. Finjo de cachorro morto. Ele não perde por esperar. Seguro o pé dele, e subo, levanto. O baque da sua nuca no chão é violento. Não hesito, fúria feroz fere ferro a soco a cara dele, até doer o punho no duro do dente danificado, sangue meu misturado ao sangue dele. Ergo sua cabeça com os meus punhos. Fito seus olhos, seu rosto vermelho. Vejo o meu rosto vermelho. O meu paletó cinza. Acabo de matar a mim mesmo.
Ele des-acorda. Eu des-espero.